15 de julho de 2011. A data que marcou o fim cinematográfico de um dos maiores fenômenos da literatura mundial de todos os tempos: Harry Potter. E, por mais que o último livro da saga, Harry Potter e as Relíquias da Morte, tenha sido lançado em 2007, os fãs foram muito felizes ao esperar e acreditar que o final das aventuras do bruxo mais famoso do mundo só chegaria nesse derradeiro 15 de julho de 2011.
Harry Potter e as Relíquias da Morte, aqui analisando as duas partes do filme, é épico, emocionante e, acima de tudo, um verdadeiro presente ao fãs. Isso porque tudo foi cuidadosamente planejado para entregar um roteiro mais fiel aos livros possível. Inclusive, esse sempre foi o ponto mais criticado em toda a trajetória cinematográfica da série: os filmes, até por uma questão de tempo, sempre deixaram importantes partes da história de lado, principalmente nos longas mais recentes como A Ordem da Fênix e O Enigma do Príncipe.
E é aí que As Relíquias da Morte entra pra se consagrar como o melhor filme da saga. Desde a fabulosa primeira sequencia da primeira parte do filme quando Hermione enfeitiça os pais para que eles não se lembrem mais dela e sai de casa, já impondo o clima de tensão vivido nos filmes, até os 19 anos após a última batalha quando encontramos Harry, Ronny, Hermione e Gina levando os próprios filhos à plataforma 9 3/4, tudo é feito com muito cuidado, carinho, fidelidade às páginas da obra e uma infinita dose de maestria.
Durante todo esse emocionante processo, é impossível não olharmos pra trás e não nos imaginarmos lendo as primeiras páginas dos primeiros livros; como cada página nos apresentava um novo encanto e, mais do que isso, um mundo tão bem constrúido que nos enfeitiçava tanto quanto as magias desempenhadas por seus personagens. J.K Rowling não criou apenas 7 livros que contam a história de um bruxinho orfão, ela criou um universo à parte com seus Becos Diagonais, Alohomorras e cervejas amanteigadas. Ela criou uma das maiores franquias da história do cinema cujos livros venderam milhões de cópias ao redor do mundo e renderam um dos maiores catálogos de produtos licenciados que uma série já produziu.
Outro fator do filme que merece exaltação é a realidade e, às vezes, até crueldade com as quais tudo foi retratado. Fatores que ficam muito claros com as cenas que mostram a destruição dentro da escola e a quantidade de sangue derramado. Isso sem contar o extremo bom senso em não tornar os efeitos especiais e visuais mais importantes que a própria história. Eles estão lá de forma impecável, mas nunca acima da trama, diálogos e atuações da película.
E, no quesito atuações, o elenco atinge a sua melhor forma, tanto os mais jovens quanto os veteranos. Mas o destaque vai mesmo para os brilhantes Ralph Fiennes, que interpreta Lord Voldemort e Alan Rickman, responsável por dar vida a Severus Snape. O primeiro traz à tona um Lord Voldemort cruel e, ao mesmo tempo, perturbado e temeroso por saber que Harry está a procura das Horcruxes. Já o segundo protagoniza uma das cenas mais emocionantes, reais e chocantes de toda a saga.
Quanto a toda a apoteose tecnológica presente nos filmes, é tudo muito espetacular e construído para dar o tom de grandiosidade e guerra inerente ao filme. Outros pontos importantes são a trilha sonora que nos acompanha de forma imortalizada desde A Pedra Filosofal e o roteiro brilhantemente adaptado e ritmado por Steve Kloves, roteirista de todos os filmes a não por A Ordem da Fênix, que conseguiu captar a essência de morte, tensão e destruição que atormentou todos os personagens no desenrolar do livro. Ademais, a única coisa que deixou a desejar foi a sequencia da luta entre Molly Weasley e Bellatrix, que, acredito que por questões de tempo, não foi tão bem explorada quanto podia ter sido.
A verdade é que Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 coloca um ponto final de forma magistral e muito merecida a todos os fãs que acompanharam a saga ao longo dos anos. É dramático, cruel, encantador e extremamente emocionante. Daquele jeito que vai manter Harry e seu universo sempre vivos em nossos corações.











