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Cotação: Direção: Roteiro: |
Confesso que assim que “The Social Network” foi anunciado eu virei a cara. Achava simplesmente um filme que ia ser feito pegando carona no sucesso das redes sociais. Alguns meses depois e com o lançamento dos primeiros teasers, percebi que o buraco podia ser um pouco mais embaixo e comecei aguardá-lo ansiosamente. Hoje, apôs tê-lo assistido, posso afirmar que “The Social Network” não é só um filme que conta a história da criação de uma rede social, é um retrato da era em que vivemos.
A premissa é bem simples: o filme traz os bastidores da criação do Facebook, a rede social iniciada pelo bilionário mais jovem do mundo, Mark Zuckerberg, hoje uma empresa avaliada em 25 bilhões de dólares com 500 milhões de membros espalhados por 207 países ao redor do mundo. O que torna “The Social Network” tão especial é como essa história aparentemente tão simples foi contada.

A parceria entre o diretor, David Fincher, e o roteirista, Aaron Sorkin, é nada mais do que brilhante. Os dois souberam retratar perfeitamente o cenário turbulento e de disputas que levou o Facebook a ser o que é hoje. Enquanto o Facebook se tornava um sucesso entre os alunos de Harvard e começava a se espandir para outras prestigiadas faculdades como Yale e Stanford, nos bastidores, Mark Zuckerberg enfrentava as acusações de plágio dos irmãos Winklevoss e uma contrastante visão de negócio defendida pelo co-fundador, Eduardo Saverin. Mesmo assim, Marck decidiu seguir com suas ideias pessoais para a rede social e instalou a empresa no Vale do Silício, na Califórnia, onde passou a dividir seus planos com o criador do Napster, Sean Parker.

A narrativa do filme é contada por meio de um embate judicial entre Zuckerberg e Saverin no qual cada um, observados por seus advogados, contam seus pontos de vista sobre os fatos. O filme também é muito feliz ao retratar os bastidores das altas aristocracias que permeiam Harvard, das casas onde os estudantes moram às festas regadas a álcool e drogas. Mas nada no filme consegue ser mais realista do que os personagens. Aqui, tiro o meu chapeú para Justin Timberlake e Andrew Garfield, mas, principalmente, para Jesse Eisenberg. O moço retrata com perfeição um Mark Zuckerberg ao mesmo tempo visionário, gênio, obcecado, lunático, sarcástico e egocêntrico que, em outros tempos, seria considerado um maníaco imprestável, mas que na era da Internet é capaz de construir um império sem que ninguém ache estranho, mas, muito pelo contrário, o admire.


